"Espíritas; amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo." Espírito de Verdade, Paris, 1860. O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Reflexões

 

A PEDAGOGIA DA FRUSTRAÇÃO

 

As frustrações podem ocorrer em todos os âmbitos que circula o ser humano, uma vez, que a vida é repleta de dificuldades e nos frustra frequentemente, pois a frustração é o choque entre o desejo e a realidade imutável.

            O ser humano se frustra desde o momento que nasce até o último suspiro de vida física. A criança, por exemplo, passa por uma série de frustrações necessárias à sua educação, que vai desde o desmame até aprender perder no jogo, a tirar nota baixa, não ter o brinquedo que deseja... Quando adolescente, as frustrações serão: levar o fora da garota, perder de ano na escola, não ser permitido ir àquela festa, ser negado dirigir o carro dos pais, ser cerceado naquela viagem que queria fazer com os colegas...

      Já no adulto, as frustrações mais sentidas são as de ordem afetiva: decepções sentimentais, perda de entes queridos, desprezo. Mas, ele também pode ser afetado por outras questões: problemas financeiros, problemas no trabalho, entre outros.

       Mas, por que a vida não é da forma como gostaríamos?

      Allan Kardec nos responde em O livro dos Espíritos, capítulo VII, intitulado Lei de Sociedade. Segundo ele, Deus fez o homem para viver em sociedade, uma vez que sozinho ele não pode progredir, pois não possui todas as faculdades, mas, através do convívio social, através do contato com outros homens, eles se completam e se aprimoram uns com os outros.

     Por isso da vida ser tão divergente, tão conflituosa, pois lidamos com diferenças continuamente, para aprendermos novas lições, com intuito de evoluirmos. Os nãos que a vida nos dá, são educativos.

     Contudo, cada indivíduo lida de uma forma peculiar com os “nãos” que a vida nos dá, baseado na sua bagagem inteleto-moral. Diante de uma fechada no trânsito, por exemplo, 2 pessoas podem reagir de forma totalmente diferentes: você pode se encolerizar diante da situação ou imaginar que aquele motorista pode estar passando por uma situação difícil que o impeliu a fechar o trânsito..

      Enfim, a forma de lidar diante das contrariedades é que faz toda a diferença. 

      Segundo o livro O segundo grande Elo - O exército que ninguém viu, autoria do espírito Sophie, psicografia de Elisabeth Pereira, na atualidade, pecamos por entender a frustração sob uma ótica negativa, como empecilho, como negação, quando na verdade, a frustração é o indicativo que algo está errado, é um indicativo positivo para mudanças de rumo. Como a vemos de forma negativa, não sabemos lidar com as circunstâncias frustrantes, também não ensinamos nossos filhos a lidar com elas. Somos uma geração de pais permissivos. Não ensinamos que o não significa sim para outra coisa. Não ensinamos que o não representa cuidado, zelo, limite. Assim, temos uma geração de filhos que não sabem lidar com os nãos que vida dá. Por isso o alto índice de drogadição, de suicídio, de violência.

Uma criança, quando chora aos berros, na verdade berra por limites. O fato de ter limites, de ouvir um não que se sustenta até o final, é para ela sinal de que há alguém mais forte e, consequentemente, há proteção, segurança.

            Poucos pais entendem isso! Ao cederem, abrem campo para as pirraças infinitas, pois o pirracento é um desprotegido que gritará por isso para sempre. Quando não cedemos, eles deixam de ser escandalosos não só porque percebem que não resolvem, mas principalmente porque se sentem seguros e não reivindicam mais segurança.

            Porém, muitos pais acham que as pirraças acabam com a idade. Ledo engano! Não acabam, cedem lugar às chantagens emocionais, ao complexo de vítimas do universo, ao maquiavelismo, à enganação, à falta de tolerância, à criminalidade, dificuldade de lidar com as perdas, à depressão e até mesmo ao suicídio.

            Isso mesmo, suicídio! Uma vez que o suicida é aquele que não sabe se frustrar, não aceita a frustação, não a suporta, optando por interromper a vida física, na ilusão de que assim cessará o sofrimento causado pelo orgulho ferido.

O espírito Ermance Dufaux, no livro Jesus – A inspiração das relações luminosas, psicografia de Wanderley Oliveira, nos esclarece que muitas vezes confundimos frustração com a sensação de fracasso. Segundo Ermance, a frustração acontece quando se espera uma realização e esta não se concretiza. Porém, se o indivíduo não sabe lidar com a frustração, deixando-se abater emocionalmente, abre-se a porta para a entrada da sensação de fracasso.

Segundo a autora, a frustação pode ser considerada uma emoção positiva – é como se a vida estivesse dizendo: ‘opa, não é por aí! Não é para ser assim!’. Fazendo uma analogia: É como se estivéssemos percorrendo uma estrada e queremos por que queremos tomar determinada direção (nosso livre-arbítrio). Mas, em determinado ponto da estrada, há um desmoronamento, inviabilizando o tráfego. A frustração é a barreira, o desmoronamento de terra. Por mais que queiramos seguir, somos impedidos. É a vida dizendo que aquela rota, não vai nos levar à meta que almejamos, que é a felicidade. As frustrações são barreiras da vida para nos alertar que aquilo que estamos fazendo, não deve ser feito. É um alerta para mudarmos de direção, para fazermos de outra forma. E o correto é, voltar e percorrer outra trilha. Já, a sensação de fracasso é quando nos rebelamos, quando sentamos e choramos na beira da estrada, maldizendo a barreira, o tempo, as circunstâncias do evento. É a total desmotivação, desânimo e sensação de fracasso propriamente dita. Inércia. É o depressivo que não aceita a vida da forma que se apresenta; é o drogado que se nega a lidar com a realidade que ele discorda; É o suicida, que simplesmente não vê e não admite tomar outro caminho, pois no seu orgulho, este era o único caminho correto.

A frustação diz: “não foi dessa vez, recomece e ache o caminho”. O fracasso sentencia: “você não é capaz”.

Assim, se soubermos fazer a leitura da vida, das frustrações, contrariedades que experimentamos, vamos perceber que é a vida nos guiando para o aprendizado daquilo que não conquistamos ainda, do valores que negligenciamos. Porque, se insistirmos em trilhar, em ignorar a barreira, com certeza, cairemos no buraco, e provavelmente só outra encarnação poderemos recomeçar. Por isso, saber fazer a leitura da frustração, aprender a lidar com elas, fará a diferença, e gradativamente, iremos compreendendo as situações, as pessoas, a vida, vamos amealhando valores, enfim, vamos aprendendo a amar. 

Os espíritos nobres, não mais se frustram, pois já compreendem as coisas, as pessoas. Quanto maior a compreensão perante a vida, menor será a frustração vivenciada, pois consegue-se entender o que a vida quer nos ensinar, enfim, o aprendizado se faz mais rápido, e a evolução também. 

     

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